Fraternidade São Francisco de Assis

Fraternidade de São Francisco de Assis

Rua Costa Ferraz, 38, Rio Comprido, RJ
Tel: 2273-9761 / 2273-8387
e-mail: ofs.riocomprido@hotmail.com

Erigida Canonicamente em 1º de julho de 1967



Nossos encontros fraternos acontecem nos 2º e 4º domingos do mês, de 08:30 às 12:00 horas. Nos reunimos em nossa Sede após a Missa das 08:30 nos 2º domingos e nos 4º domingos nos reunimos em nossa Sede às 08:30 e às 11 horas temos a Santa Missa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Evangelho do dia - 26.08.2011





Mt 25, 1-13
Estejam preparados 
-* 1 «Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes. 3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro’. 7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas. 8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: ‘Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As prudentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar’. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: ‘Senhor, Senhor, abre a porta para nós’. 12 Ele, porém, respondeu: ‘Eu garanto a vocês que não as conheço’. 13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.»

* 25,1-13: Nesta parábola, o noivo é Jesus, que virá no fim da história. As virgens representam as comunidades cristãs, que devem sempre estar preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a prática da justiça (o óleo).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

25 de Agosto São Luís, Rei de França

25 de Agosto
São Luís, Rei de França


Luís IX, rei da França nasceu aos 25 de abril de 1215. Foi educado rigidamente por sua mãe Branca de Castela e por ela encaminhado à santidade. Começou a ser rei da França em 1226. Casado com Margarida de Provença, ele impôs-se por toda vida exercício diário de piedade e penitência em meio de uma corte elegante e pomposa. Viveu na corte como o mais rígido monastério e tomou a todo o país como campo de sua inesgotável caridade. Quando o qualificavam de demasiado liberal com os pobres, respondia: "prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos para a vã glória do mundo".
Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Admirava-lhes sua serena justiça, objetiva supremo de seu reinado. A seu primogênito e herdeiro lhe disse uma vez: "preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o reino bem e com lealdade, e não que tu meu filho, o governasse mal". Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. Por uma primeira cruzada promovida por ele terminou em fracasso. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro, precisamente a prisão de Luís IX foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram "o sultão justo".
Em uma segunda expedição ao oriente, ele mesmo morreu de tifo em 1270. Antes de expirar mandou dizer ao Sultão de Túnez: "Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos".
Os terceiros franciscanos festejam neste dia 25 de agosto a seu patrono, São Luís, rei da França, ilustre co-irmão na terceira Ordem da penitência. Foi sua mãe Branca de Castela que o encaminhou à santidade. Foi um terceiro franciscano que teve de Deus o encargo de exercitar a caridade em terras da França. Na história da França se recorda como um soberano sapientíssimo e também enérgico. O vemos praticar todas as obras de misericórdia convencional, traduz sua fé em ação e buscou no solo viver, e também governar segundo os preceitos da religião. São Luís IX, rei da França, morreu em 25 de agosto com a idade de 55 anos. Seu corpo foi levado à França e repousa em São Dionísio.

PATRONO DA OFS - 25 DE AGOSTO

Glorioso São Luís, dignai-vos lançar sobre nós o vosso olhar. Com confiança elevamos a vós os pensamentos e corações. Apresentai a Deus as nossas súplicas e ajudai-nos a cumprir os deveres de cristãos e franciscanos seculares, para chegarmos um dia como vós à glória do céu. Amém.
Glorioiso São Luís, não fostes escolhido patrono da Ordem Terceira por teres sido um grande na terra e sim porque fostes o modelo perfeito de vida evangélica. Rodeado pelo fausto da corte, não deixastes obcecar-vos pelo poder e pelas honras, pela riqueza e as vaidades, pelos prazeres e a moleza do corpo. Tivestes uma vida sóbria e austera. Não conhecestes outro temor senão o de ofender a Deus pelo pecado. Os divinos mandamentos foram a norma segura de todos os vossos atos em caridade e justiça na vida pública e particular.
Ajudai-nos com o vosso poderoso patrocínio e pela intercessão da Virgem Maria Imaculada, para que nunca nos deixemos fascinar pelas atrações enganadoras do mundo e da carne, mas sigamos firmemente o caminho do dever, dia por dia, segundo a Regra Franciscana que professamos.
Pai nosso...Ave,Maria...Glória ao Pai...
Glorioso São Luís, sois um modelo admirável pelo vosso extraordinário espírito de fé. Colocastes a dignidade de filho de Deus obtida pelo santo batismo muito acima da glória de ser rei da França. O fundamento firme da vossa fé consistia na palavra de Cristo no Evangelho. Não quisestes por isso ver a aparição de Jesus na Hóstia consagrada, porque mais confiáveis no testemunho divino, do que nos vossos sentidos. Nem ameaças de tormentos e de morte puderam fazer-vos vacilar na fidelidade inquebrantável a Nosso Senhor e à sua Santa Igreja.
Ajudai-nos com o vosso poderoso patrocínio, e pela intercessão da Virgem Maria chamada bem-aventurada por causa de sua fé, que tomemos sempre como luzeiro da nossa vida diária a palavra do Santo Evangelho infalível, que saibamos apreciar o valor dos bens invisíveis, da graça e dos santos Sacramentos para a nossa felicidade no tempo e na eternidade.
Pai nosso... Ave, Maria... Glória ao Pai...
Glorioso São Luís, o nosso modelo no generoso cavalheirismo em serviço a Cristo presente nos mínimos irmãos, na Santa Eucaristia e nos poderes sacerdotais da Santa Igreja. Diariamente prestáveis os mais humildes serviços aos pobres, indigentes e leprosos, assistíeis diariamente à Santa Missa e rezáveis com fervor o Ofício Divino. Por duas ou três vezes demonstrastes 
a vossa bravura, brandindo a espada por amor aos santos lugares. Resgatastes por alto preço a coroa de espinhos de Jesus e construístes por devoção a esta preciosa relíquia da Paixão a maravilha de arte, a santa capela.
Ajudai-nos com o vosso poderoso patrocínio e pela intercessão da Santa Mãe de Cristo, Nosso Senhor, que sejamos fiéis cavalheiros do amor seráfico no tríplice serviço do Rei dos reis, pela caridade, o culto e a defesa da Santa Igreja.Pai nosso... Ave, Maria... Glória ao Pai...Rogai por nós São Luís.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


ORAÇÃO - Ó Deus, que transferistes São Luís dos cuidados de um reino terrestre à glória do Reino do Céu, concedei-nos, por sua intercessão, desempenhar nossas tarefas de cada dia, e trabalhar para a vinda do vosso Reino. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Evangelho do dia - 25.08.2011





Mt 24, 42-51
"Porque o Filho do Homem virá na hora em que vocês menos esperarem"
42 Portanto, fiquem vigiando! Porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês. 43 Compreendam bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente ficaria vigiando, e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vocês estejam preparados. Porque o Filho do Homem virá na hora em que vocês menos esperarem.
45 Qual é o empregado fiel e prudente? É aquele que o Senhor colocou como responsável pelos outros empregados, para dar comida a eles na hora certa. 46 Feliz o empregado cujo senhor o encontrar fazendo assim quando voltar. 47 Eu garanto a vocês: ele colocará esse empregado à frente de todos os seus bens. 48 Mas, se for mau empregado, pensará: ‘Meu senhor está demorando’. 49 Então começará a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados. 50 O senhor desse empregado virá num dia em que ele não espera, e numa hora que ele não conhece. 51 Então o senhor o cortará em pedaços, e o fará participar da mesma sorte dos hipócritas. Aí haverá choro e ranger de dentes.»

* 32-51: Jesus agora responde à pergunta feita pelos discípulos (v. 3). Cf. nota em Mc 13,28-37. A parábola dos vv. 45-51 ressalta a missão dos responsáveis pela comunidade cristã. Enquanto esperam por Jesus, eles devem continuar fiéis no serviço à comunidade, sem cair na tentação de afrouxar a prática da justiça, diante da demora do Senhor.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Evangelho do dia - 24.08.2011





Jo 1,45-51
"Verá coisas maiores do que essas"
45 Filipe se encontrou com Natanael e disse: «Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e também os profetas: é Jesus de Nazaré, o filho de José.» 46 Natanael disse: «De Nazaré pode sair coisa boa?» Filipe respondeu: «Venha, e você verá.»
47 Jesus viu Natanael aproximar-se e comentou: «Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade.» 48 Natanael perguntou: «De onde me conheces?» Jesus respondeu: «Antes que Filipe chamasse você, eu o vi quando você estava debaixo da figueira.» 49 Natanael respondeu: «Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel!» 50 Jesus disse: «Você está acreditando só porque eu lhe disse: ‘Vi você debaixo da figueira’? No entanto, você verá coisas maiores do que essas.» 51 E Jesus continuou: «Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.»

* 35-51: João descreve os sete dias da nova criação. No primeiro dia, João Batista afirma: «No meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem.» Nos dias seguintes vemos como João Batista, João, André, Simão, Filipe e Natanael descobrem a Jesus. É sempre uma testemunha que aponta Jesus para outra. O último dia será o casamento em Caná, onde Jesus manifestará a sua glória.«O que vocês estão procurando?» São estas as primeiras palavras de Jesus neste evangelho. Essa pergunta, ele a faz a todos os homens. Nós queremos saber quem é Jesus, e ele nos pergunta sobre o que buscamos na vida. Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele. João Batista era apenas testemunha de Jesus, a quem tudo se deve dirigir. João sabia disso; por isso convida seus próprios discípulos para que se dirijam a Jesus. E os dois primeiros vão buscar outros. É desse mesmo modo que nós encontramos a Jesus: porque outra pessoa nos falou dele ou nos comprometeu numa tarefa apostólica. Jesus sempre reconhece aqueles que o Pai coloca em seu caminho. Ele reconhece Natanael debaixo da figueira e também Simão, escolhido para ser a primeira Pedra da Igreja. Vereis o céu aberto: No sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam por uma escada que ligava a terra ao céu (leia Gn 28,10-22). Doravante é Jesus, o Filho do Homem, a nova ligação entre Deus e os homens.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Evangelho do dia - 23.08.2011





Mt 13, 44-46
A decisão pelo Reino 
-* 44 «O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esse campo.
45 O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas. 46 Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola.»

* 44-46: Para entrar no Reino é necessária decisão total. Apegar-se a seguranças, mesmo religiosas, que são falsas ou puras imitações, em troca da justiça do Reino, é preferir bijuterias a uma pedra preciosa.

Peregrinação da imagem de Santa Clara


No dia 05.08 a Fraternidade de São Francisco de Assis do Rio Comprido iniciou a Peregrinação da imagem de Santa Clara Peregrina, a Santa Missa foi celebrada pelo nosso Assistente Espiritual Frei Donil OFMConv e durante a homilia a irmã Clarissa Regina falou para a Fraternidade uma mensagem sobre este grande momento.

No final a imagem foi entregue aos nossos dois irmãos da Iniciação Flávio e Rosalba.












segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Evangelho do dia - 22.08.2011





Mt 23,13-22
Jesus condena a hipocrisia religiosa
-* 13 «Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam. 14 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês exploram as viúvas, e roubam suas casas e, para disfarçar, fazem longas orações! Por isso, vocês vão receber uma condenação mais severa. 15 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês percorrem o mar e a terra para converter alguém, e quando conseguem, o tornam merecedor do inferno duas vezes mais do que vocês. 16 Ai de vocês, guias cegos! Vocês dizem: ‘Se alguém jura pelo Templo, não fica obrigado, mas se alguém jura pelo ouro do Templo, fica obrigado’. 17 Irresponsáveis e cegos! O que vale mais: o ouro ou o Templo que santifica o ouro? 18 Vocês dizem também: ‘Se alguém jura pelo altar, não fica obrigado, mas se alguém jura pela oferta que está sobre o altar, esse fica obrigado’. 19 Cegos! O que vale mais: a oferta ou o altar que santifica a oferta? 20 De fato, quem jura pelo altar, jura por ele e por tudo o que está sobre ele. 21 E quem jura pelo Templo, jura por ele e por Deus que habita no Templo. 22 E quem jura pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está sentado.

* 13-36: Jesus critica e condena os líderes religiosos que sustentam um sistema formalista e hipócrita: eles não consideram o Reino de Deus como dom, nem respeitam a liberdade dos filhos de Deus. Tal sistema impede de entrar no Reino, pois não leva à conversão, mas à perversão, e destrói o verdadeiro espírito das Escrituras, chegando a matar até mesmo os enviados de Deus. Jesus mostra que a religião formalista e jurídica não é meio de salvação, mas produz prática escravizadora; portanto, é frontalmente oposta àquela que deve ser vivida por qualquer comunidade cristã.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Evangelho do dia - 09.08.2011



Mt 18,1-5.10.12-14
Quem é o maior na comunidade?


-* 1 Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: «Quem é o maior no Reino do Céu?» 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, 3 e disse: «Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. 4 Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.»

Por que alguém se afasta da comunidade? -
* 10 «Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu.
12 O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, será que ele não vai deixar as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Eu garanto a vocês: quando ele a encontra, fica muito mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca.»

* 18,1-5: A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Evangelho do dia - 08.08.2011







Mt 17,22-27
A missão de Jesus é dar a vida

-* 22 Quando os discípulos estavam reunidos na Galiléia, Jesus disse para eles: «O Filho do Homem vai ser entregue na mão dos homens. 23 Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará.» E os discípulos ficaram muito tristes.

Os filhos são livres -
* 24 Quando chegaram a Cafarnaum, os fiscais do imposto do Templo foram a Pedro, e perguntaram: «O mestre de vocês não paga o imposto do Templo?» 25 Pedro respondeu: «Paga, sim.» Ao entrar em casa, Jesus adiantou-se, e perguntou: «O que é que você acha, Simão? De quem os reis da terra recebem taxas ou impostos: dos filhos ou dos estrangeiros?» 26 Pedro respondeu: «Dos estrangeiros!» Então Jesus disse: «Isso quer dizer que os filhos não precisam pagar. 27 Mas, para não provocar escândalo, vá ao mar, e jogue o anzol. Na boca do primeiro peixe que você pegar, vai encontrar o dinheiro para pagar o imposto. Pegue-o, e pague por mim e por você.»

* 24-27: O problema é pagar o imposto do Templo (v. 24) e o imposto imperial (v. 25). O imposto implica domínio sobre os bens da pessoa. Esses bens, em primeiro lugar, são de Deus. E os homens são filhos de Deus, antes de ser súditos de qualquer poder. Portanto, eles não têm obrigação de pagar impostos. A razão para pagá-lo é livre e secundária: evitar escândalo. O confronto e a ruptura entre Jesus e as instituições se dão nesse nível mais profundo e decisivo, que supera a própria instituição do Estado e do Templo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

É COM O CORAÇÃO E A MENTE QUE SE ENXERGA BEM


É COM O CORAÇÃO E A MENTE QUE SE ENXERGA BEM

Não creias apenas nos teus olhos corporais. Enxerga-se muito melhor o que não se vê, porque o que se vê é transitório. Com outros olhos vemos o que é eterno. Entretanto se vemos o que os olhos não alcançam, enxergamos com o coração e a mente (Santo Ambrósio)

1. Vivemos nossa vida cristã.  Somos cristãos. Caminhamos à luz da fé. Por detrás de tudo o que tocamos com as mãos, escutamos com os ouvidos,  enxergamos com os olhos está a presença do mistério amoroso de Deus a nos olhar, a nos perscrutar e a nos convocar. Sabemos, segundo o Pequeno Príncipe,  que  as coisas mais importantes são invisíveis aos olhos. Realmente só se vê bem com o coração.  Um dia desses olhava eu uma criança.  Um menino espoleta, que corria de um lado para o outro dentro do ônibus, que gritava, que sorria, que chegava perto das pessoas e fazia tantas perguntas, estas perguntas que somente as crianças sabem fazer. Como é teu nome?  Onde tu moras?  Como se chama teu pai? Queres uma bala? Tu tens irmãos?  Via aquele menino, aquele lourinho de cabelo em forma de crista... Que será dele?  O que esse guri já tem como perguntas dentro do coração?  Como será seu amanhã?  Será que os pais dele vão cuidar apenas que ele cresça, que passe na faculdade, que tenha uma namorada bonita, que ganhe dinheiro?  Tive vontade  de olhar para esse menino com os olhos do coração e da mente e pensar que ele foi querido por Deus, foi entregue aos cuidados de seus pais e que  poderá enfeitar a face da terra, e um dia, ser santo.  Quando vemos o que os olhos não alcançam, enxergamos com o coração e a mente.

2. Tudo ia chegando ao fim. O menino de Maria já não era mais um menino. Caminhou resolutamente na direção do lugar da entrega.  Despojado de tudo,  sem defensores, sem pompa, sem seguranças, entregue aos caprichos de meia dúzia de seres medíocres, ele,  coberto de escarros, poeira, sangue, abandono, nu em todos os sentidos foi se entregando, com soluços baixinhos, ao Pai invisível que tudo vê  com o coração. Não tendo mais vontade de discutir, de porfiar foi se entregando nas mãos do Pai que vê tudo. E uma paz profunda tomou conta do corpo e coração desse  que era  a epifania de Deus, a manifestação de Deus na terra dos homens, que era a aproximação mais íntima do coração de Deus com o coração do homem.

3. Terminado o suplício de amor, inclinando a cabeça, aquele que veio se tornar o sentido de nossa vida e do mundo  morre. O soldado abre-lhe o peito. Os olhos carnais conseguem enxergar uma fenda. Da fenda um filete de sangue e um filete de água. Mas os olhos da fé vão mais longe  muito mais longe.  O discípulo se senta diante do Coração dilacerado do Deus feito carne e deixa-se amar. Não coloca óbice para acolher esse amor que jorra, que goteja  do lado aberto do Senhor.  E os olhos da mente e do coração  enxergam maravilhas:  quando ele foi levantado, tudo a ele atraiu;  ele é o grão de trigo lançado na terra que precisa morrer para dar fruto; ele não hesitou em tomar a condição de servo. Os que olham com o coração e a mente sentem uma atração por essa fenda no peito do Mestre. Não conseguem mais viver sem ter sempre  no coração uma vontade de agradecer esse amor que vai até o fim, esse amor que precisa ser amado.

4. Há vários tipos de oração. Os cristãos, desde a sua infância, se afeiçoam às orações vocais aprendidas no colo da mãe e do pai e no regaço da família.  Na medida quem vão crescendo e deixando que Deus neles atue  não precisam mais  de fórmulas e de movimentações dos lábios.  Os verdadeiros devotos do Coração  de Jesus são pessoas de contemplação.  Enxergam com os olhos do interior a  fonte do Coração.  Os que contemplam o Coração de Jesus se sentem amados por Deus. São levados a uma oração contemplativa.  “A contemplação é uma compreensão profunda do fato de que, em nós, a vida e o ser procedem de uma Fonte invisível, transcendente e infinitamente abundante.  A contemplação é, antes de tudo a tomada de consciência da realidade dessa Fonte... É o ser tocado por aquele que não tem mãos, mas é a realidade pura e fonte de tudo o que é real. (Thomas Merton).


5. A contemplação do Cristo dilacerado, desse Deus que sofre, nos convida a vê-lo nessa velhinha que não  sabe se exprimir ou pedir uma orientação numa repartição pública e fica toda atrapalhada, nesses pobres jovens presas e objeto de traficantes sem alma. O Deus que nos faz ver as suas entranhas na cena do peito aberto é o mesmo que nos puxa pela mão e nos faz  samaritanos de tantos jogados à beira da estrada, desses casais vazios e ocos, desses jovens bombados e sarados, mas vazios e tristes, dessa  humanidade  da superficialidade e da mediocridade  Lá no fundo de todos esses  Cristo vive  e nos mostra o coração dilacerado..   Tomara que nos aprendamos a ver com os olhos do coração e da mente. 

Frei Almir





Mt 16,24-28
O seguimento de Jesus


-* 24 Então Jesus disse aos discípulos: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.»

* 24-28: Cf. nota em Mc 8,34-38.[ * 34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz).]

quinta-feira, 4 de agosto de 2011



No dia 6 de agosto, sete frades da Província da Imaculada Conceição do Brasil irão fazer a profissão solene na Ordem dos Frades Menores, nas mãos do Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel. A celebração será na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, às 10 horas, em Petrópolis. São eles: Frei André Luiz da R. Henriques, Frei João Francisco da Silva, Frei Leonardo P. dos Santos, Frei Marcos Rubens Ferreira, Frei Paulijackson Pessoa de Moura, Frei Sérgio Silas Damasceno e Frei Weliton Bortolon. Após a liturgia da Palavra, será feita a chamada nominal dos professandos, apresentando um breve histórico de cada um deles.

Em seguida, o Ministro Provincial fará a homilia. O rito de profissão prosseguirá. No diálogo com o Ministro Provincial, os professandos reafirmarão o propósito de se consagrarem definitivamente. Durante a Ladainha de Todos os Santos, toda a comunidade presente pedirá a intercessão dos céus pelos sete jovens, que se prostrarão no chão em sinal de despojamento. Em seguida, individualmente, se ajoelharão diante do Ministro Provincial e, nas mãos dele, proferirão a fórmula de Profissão, escrita de próprio punho. Sobre o altar, assinarão dois documentos: um no qual confirmarão os votos emitidos e outro em que renunciarão à posse de todo e qualquer bem temporal. De joelhos, receberão a bênção solene.

Este momento solene para o frade menor é descrito assim nas Constituições Gerais da Ordem: “Levando à maior plenitude a consagração batismal e respondendo ao chamado divino, os irmãos entregam-se totalmente a Deus, sumamente amado, pela profissão da obediência, da pobreza e da castidade, que deve ser vivida segundo o espírito de São Francisco; contraem uma aliança com Deus, e sua vida se torna, por toda a existência, um sacrifício oferecido a Deus na caridade”.





ANDRÉ LUIZ DA R. HENRIQUES
Nascimento: 
05/03/1984
Naturalidade: Ilha Solteira, SP
Vestição: 08/01/2005

MARCOS RUBENS FERREIRA
Nascimento: 
25/10/1979
Naturalidade: São Paulo, SP
Vestição: 08/01/2005

SÉRGIO SILAS DAMASCENO
Nascimento:
 19/02/1983
Naturalidade: São Bernardo do Campo, SP
Vestição: 08/01/2005

WELITON
BORTOLON

Nascimento:
06/11/1984
Naturalidade: Pato Branco, PR
Vestição: 08/01/ 2005

JOÃO FRANCISCO
DA SILVA

Nascimento: 
09/07/1969
Naturalidade: São Paulo, SP
Vestição: 08/01/2005

LEONARDO PINTO
DOS SANTOS

Nascimento: 
03/01/1983
Naturalidade: Rio de janeiro, RJ
Vestição: 08/01/2005

PAULIJACSON
PESSOA DE MOURA

Nascimento:
 16/12/1981
Naturalidade: São Miguel, RN
Vestição: 08/01/2005

Dia do Padre


São João Maria Vianney, o cura d’Ars
MINISTROS DO SENHOR

Números 20, 1-13; Mateus 16, 13-23

Hoje lemos o famoso evangelho  de Cesareia de Filipe em que  Cristo pergunta o que dizem a seu respeito.  Hoje comemoramos  João  Maria  Vianney,  patrono celeste dos sacerdotes e dos párocos.  Os padres constantemente precisam responder a essa pergunta:  “E vós,  quem dizeis que eu sou?”.
Padres, presbíteros, ministros do Senhor, trajetórias existenciais ímpares!  Homens como todos os homens e,  ao mesmo tempo,  aqueles que não se pertencem  mais.

O padre é de um outro que o tocou profundamente. Ele, esse sacerdote ministerial,  sabe que foi escolhido para ir e anunciar o Evangelho e ser Cristo ressuscitado no meio do mundo.
Lá está ele, revestido de seus paramentos, no meio do altar. Toma pão e toma vinho. Não realiza um teatro.  Seu corpo, sua história, sua vida  se unem  à vida de Cristo, ele, esse homem, em seu ministério sacerdotal se faz pão e vida para os seus e se une ao corpo e sangue daquele que se apresenta ao Pai nas aparências do pão e do vinho. Uma única oferenda. 

Pronunciando  com voz pausada  as palavras da Oração Eucarística se faz uma só oferenda com o Cristo. O padre, ministro do altar!
Ele torna visível e presente o Cristo  ressuscitado no regime dos sacramentos. Não é um “fazedor”  de magia. Acolhe seres humanos desejosos do perdão, carentes de alivio na doença,  homem e mulher que desejam se unir no Senhor e coloca os gestos dos sacramentos sabendo que quem está agindo é o Cristo  ressuscitado através de sua voz e de suas mãos.

Ministro  dos sacramentos! Luta ele com todo empenho para  que os que pedem o batismo ou a reconciliação  sejam pessoas que estejam vivendo um processo de conversão. Não descansa enquanto não cria comunidades vivas que possam ser   albergues do ressuscitado.
Ele é o ministro da Palavra. Não é alguém que diz qualquer coisa, mas o servo da Palavra  que se  fez carne e habitou entre nós. Uma palavra sonora que veio do seio da Trindade, explodindo de amor, desejando  criar raízes de comunicação amorosa no seio do coração das pessoas como semente que produz frutos cem por um. Ministro que diz uma palavra que consola e que anima, que liberta e apazigua, que cria e que recria.  Homem da comunicação que acaba com o isolamento e com a solidão das pessoas e das histórias das pessoas.
Ele, o amigo íntimo do Senhor que não vive sem alimentar esse colóquio, na degustação do salmos de todos os dias e de todas as horas, cuja ação  não é marcada por uma correria insana e por qualquer improvisação, mas aquele que faz tudo começar no Senhor e tudo para ele se encaminhar. Vive despojando-se de si mesmo diante dos homens e do  Senhor para tornar mais profícua sua missão.
Arde no coração do sacerdote ministerial o zelo pelas coisas do Senhor:  Quer  que as pessoas possam dar sua adesão a Cristo,  não admite mediocridade  na ação dos seus colaboradores de pastoral. Procura os que estão jogados à beira da estrada para levá-los ao abrigo de seu coração e da comunidade cristã da qual ele, o padre,  é a alma.
Não é funcionário das coisas sagradas, mas presença vigorosa de um enviado do Cristo, instrumento inteligente dele. Na medida  em que vai envelhecendo, o ministro ordenado vai ganhando em seu semblante as  feições de Cristo Jesus.
Frei Almir Guimarães

Evangelho do dia - 04.08.2011





S. João Maria Vianney (Cura D´Ars)
Mt 16, 13-23
Jesus é o Messias 
-* 13 Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» 14 Eles responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas.» 15 Então Jesus perguntou-lhes: «E vocês, quem dizem que eu sou?» 16 Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.» 17 Jesus disse: «Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18 Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. 19 Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.» 20 Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.
21 E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22 Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!» 23 Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: «Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!»

* 13-23: Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Festa franciscana da Dedicação da Basílica de Nossa dos Anjos QUANDO O CÉU RESOLVE DESCER À TERRA

Festa franciscana da Dedicação da Basílica de Nossa dos Anjos
QUANDO O CÉU RESOLVE DESCER À TERRA

A família franciscana hoje comemora a festa da dedicação  da Basílica de Nossa  Senhora dos Anjos em Assis.  A pequena capela que existia  na planura de Assis faz  parte do álbum da vida dos franciscanos e franciscanas de todos os tempos.
Francisco, num determinado momento de sua vida, tinha a convicção de que estava sendo chamado a ser pedreiro de Deus.  Compreendera que precisava restaurar as capelas de sua cidade que estavam caindo aos pedaços. Depois de ter feito o trabalho de arrumar  São Damião e São Pedro chegou  até Nossa Senhora dos Anjos. Ele gostava daquela capelinha dedicada  à Mãe de Deus e resolveu  “morar “  por ali com seus frades. Alguns acontecimentos marcariam aquele lugar.
Lá,  participando de uma  missa, ouvira ele o evangelho da missão. Jesus pedia que seus discípulos fossem pelo mundo afora,  com pouca bagagem, sem ouro,  sem dinheiro, nem sapatos, que fossem de casa em casa,  que cuidassem dos doentes, anunciassem a paz.  Era isso que ele desejava. Teve a nítida certeza que seu  caminho estava traçado.  “É isso que eu quero, isso que busco de todo o coração”.  Esse foi o dia em que Francisco abraçou o Evangelho.  E  depois ele e seus frades não queriam outra coisa senão  dizer por palavras e gestos que o Amor que tanto nos amou precisava ser amado.  Seus frades constituiriam uma fraternidade missionária. Tinha certeza que esse esclarecimento ele devia a  Mae de Deus,  Maria, que segundo uma tradição costumava descer à terra com anjos naquele lugar.  Esse lugar  seria o único lugar fixo de seus frades... Ali Deus morava e moraria sempre.
Naquele lugar os frades deveriam viver exemplarmente: simples, despojados, atentos  uns aos outros, irmãos de verdade.
Tudo seria feito sempre com a sinceridade e a generosidade do Evangelho.
Numa noite de  Domingo de Ramos (1212), ali Francisco e  os seus receberam uma  moça bonita e  chamada Clara... Os irmãos, tendo tochas acesas, a acolheram naquela noite... Francisco cortou-lhe os cabelos e a revestiu das alegres vestes da pobreza  numa cerimônia luminosa e clara que foi a Consagração da virgem Clara ao serviço do evangelho. Numa noite da capelinha, da “porçãozinha” da Porciúncula, Clara começou  sua discreta e belíssima vida.
Ali, naquele mesmo lugar, se  realizavam os capítulos gerais, essas reuniões dos frades de todos os cantos por ocasião  da festa de Pentecostes. Ali, os irmãos experimentavam a alegria do encontro, falavam das maravilhas que  Deus operava  através de seus trabalhos,  faziam os planos para o futuro. Ali  o  Espírito Santo, verdadeiro ministro geral da Ordem,  se manifestava a esses homens vestidos de toda humildade e pobreza.
Quando  Francisco se deu conta que seu fim se avizinhava  pediu que levassem  seu  corpo em ruinas até a Porciúncula. Deitado nu, na terra nua, ao lado  da capelinha,  pediu que seus irmãos  realizassem a liturgia do Adeus e entregou sua vida ao Altíssimo no belo gesto de entrega de si ao Deus que se aproxima escondido naquela que o mesmo  Francisco costumava chamar de Irmã Morte.
Tudo isso e muito,  muito mais aconteceu na Porciúncula de Assis.
Fonte: franciscanos.org.br

Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula



Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula

O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula. Aí deu inicio a Ordem dos Frades Menores e preparou a fundação das Clarissas; e aí completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi também aí que o Santo Pai alcançou a célebre Indulgência, que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas igrejas. Para celebrar tanto e tão grandes favores ali recebidos de Deus, instituiu-se também a festa Litúrgica, como aniversário da consagração da pequenina ermida.

ORAÇÃO - Fazei, ó Deus, que, ao celebrarmos a gloriosa memória da Virgem Maria, Rainha dos Anjos, possamos também por sua intercessão, participar da plenitude da vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



O que é puro?
Leitura Orante

Mt 15,1-2.10-14

Alguns fariseus e escribas vindos de Jerusalém dirigiram-se a Jesus perguntando: "Por que os teus discípulos desobedecem à tradição dos antigos? Eles não lavam as mãos quando vão comer!". Jesus chamou a multidão e disse: "Escutai e compreendei. O que torna alguém impuro não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é que o torna impuro". Então os discípulos se aproximaram e disseram-lhe: "Sabes que os fariseus ficaram indignados ao ouvir as tuas palavras?" Ele respondeu: "Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada. Deixai-os! São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois caem no buraco". 


Leitura Orante 
Preparo-me para a Leitura Orante rezando com todos os internautas, a oração do bem-aventurado Alberione: 
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. 
A vós, Espírito santificador, 
consagro a minha vontade; 
guiai-me na vontade de Deus 

1. Leitura (Verdade) 
O que a Palavra diz? 
Leio, na Bíblia, o texto do dia: Mt 15,1-2.10-14. 
A pureza legal dos fariseus e escribas pretendia medir o valor de uma doutrina e sua prática. Sobre isto eles questionam Jesus. Jesus se serve deste questionamento para expor com calreza o seu ensinamento. "O que torna alguém impuro não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é que o torna impuro". Isto deixou indignados os fariseus, como perceberam os discípulos. E o Mestre diz que eles "são cegos guiando cegos". 


2. Meditação (Caminho) 
O que a Palavra diz pra mim? Como vivo a minha fé? Repito as tradições? Quero que as outras pessoas sigam o meu padrão? Que rezem do meu jeito, que sigam determinadas fórmulas .... Ou sou livre como Jesus para fazer o bem sempre? Como disseram os bispos, em Aparecida, hoje também há certas posturas radicais e reducionistas que dificultam a clareza da fé cristã: "Lamentamos, seja algumas tentativas de voltar a um certo tipo de eclesiologia e espiritualidade contrárias à renovação do Concílio Vaticano II, seja algumas leituras e aplicações reducionistas da renovação conciliar; lamentamos a ausência de uma autêntica obediência e do exercício evangélico da autoridade, das infidelidades à doutrina, à moral e à comunhão, nossas débeis vivências da opção preferencial pelos pobres, não poucas recaídas secularizantes na vida consagrada influenciada por uma antropologia meramente sociológica e não evangélica. Tal como manifestou o Santo Padre no Discurso Inaugural de nossa Conferência: "percebe-se um certo enfraquecimento da vida cristã no conjunto da sociedade e do próprio pertencimento à Igreja Católica"(DAp 100,b). 

3. Oração (Vida) 
- O que a Palavra me leva a dizer a Deus? 
Assumindo o jeito de viver do Mestre Divino, rezo com São Patrício: 
Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim, Cristo em mim, 
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda, 
Cristo ao me deitar, 
Cristo ao me sentar, 
Cristo ao me levantar, 
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim, 
Cristo na boca de todos que falarem em mim, 
Cristo em todos os olhos que me virem, 
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem. 

4. Contemplação (Vida) 
- Qual o meu novo olhar a partir da Palavra? 
A partir da prática de Jesus, vou viver hoje com coerência cristã e rejeitar toda hipocrisia. 
Bênção 
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém. 
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém. 
-Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém. 
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém. 
Irmã Patrícia Silva, fsp

Fonte: paulinas.org.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amanhã, festa franciscana: Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula



Apresentação
No calendário litúrgico franciscano, o dia 2 de agosto é dedicado à celebração da Festa de Nossa Senhora dos Anjos, popularmente conhecida como "Porciúncula". Na introdução do texto litúrgico do missal e da liturgia das horas, se diz o seguinte:

"O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula. Aí deu início à Ordem dos Frades Menores e preparou a fundação das Clarissas; e aí completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi aí também que o Santo Pai alcançou a célebre Indulgência , que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas igrejas. Para celebrar tantos e tão grandes favores ali recebidos de Deus, instituiu-se também esta Festa Litúrgica, como aniversário da consagração da pequenina ermida".

Por Frei Régis Daher, OFM


O testemunho das Fontes Franciscanas

Diversos textos, das assim chamadas "Fontes Franciscanas", falam do sentido e do valor que este lugar passou a ter na vida de São Francisco, e posteriormente considerado "cabeça e mãe dos Frades Menores". 

Legenda Perusina, cap. 8
• "Vendo o bem-aventurado Francisco que o Senhor queria aumentar o número de seus frades, disse-lhes um dia: 'Caríssimos irmãos e meus filhinhos, vejo que o Senhor quer fazer crescer a nossa família. Parece-me que seria prudente e próprio de religiosos irmos pedir ao Senhor Bispo ou aos cônegos de S. Rufino ou ao abade do mosteiro de São Bento uma igreja pequena e pobre onde os frades posssam recitar as horas e, ao lado, uma casa pequena e pobre, de barro e de vimes, onde os frades possam descansar e fazer o que lhes for necessário.O lugar que agora habitamos já não é conveniente e a casa é exígua demais para nos abrigar, visto que aprouve ao Senhor multiplicar-nos. 
Foi então apresentar ao bispo o seu pedido, que lhe respondeu assim: "Irmão, não tenho igreja para vos dar". Dirigiu-se em seguida aos cônegos de S. Rufino. Estes deram-lhe a mesma resposta. Foi dali ao mosteiro de São Bento do Monte Subásio. Falou ao abade como fizera ao bispo e aos cônegos, relatando-lhe a resposta que deles obtivera. O abade compadecido, depois de se aconselhar com os seus monges, resolveu com eles, como foi da vontade de Deus, entregar ao bem-aventurado Francisco e seus frades a igreja de Santa Maria da Porciúncula, a mais pobre que eles possuiam. Para o bem-aventurado Francisco era tudo quanto de há muito desejava. ...

Não cabia em si de contente, com o benefício recebido: porque a igreja era dedicada à Mãe de Cristo; porque era muito pobre; e também pelo nome que era conhecida. Era com efeito chamada de Porciúncula, presságio seguro de quje viria a ser cabeça e mãe dos pobres frades menores. O nome de Porciúncula tinha sido dado a esta igreja por ter sido construída numa porção acanhada de terreno que de há muito assim era chamada"

T.Celano, Vida I, cap. 9,21
• "Depois que o santo de Deus trocou de hábito e acabou de reparar a Igreja de São Damião, mudou-se para outro lugar próximo da cidade de Assis, ... chamado Porciúncula, onde havia uma antiga igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus, mas estava abandonada e nesse tempo não era cuidada por ninguém. Quando o santo de Deus a viu tão arruinada, entristeceu-se porque tinha grande devoção para com a Mãe de toda bondade, e passou a morar ali habitualmente. No tempo em que a reformou, estava no terceiro ano de sua conversão"

Espelho da Perfeição, cap. 83• "Embora o Seráfico Pai soubesse que o reino dos céus é estabelecido em todos os lugares da terra... sabia, no entanto, por experiência, que Santa Maria dos Anjos havia sido contemplada com bençãos especiais... Por isso recomendava sempre os frades: 'Meus filhos, tende cuidado de jamais abandonar este lugar. Se vos expulsarem por uma porta, entrai pela outra. Este lugar é sagrado, morada de Cristo e da Virgem Maria, sua bendita Mãe. Aqui, quando éramos apenas um pequeno número, o bom Deus nos multiplicou. Aqui ele iluminou a alma destes pequeninos com a luz de sua sabedoria, abrasou a nossa alma com o fogo de seu amor"

Espelho da Perfeição, cap. 84
• "Neste tempo nasceu a Ordem dos Frades Menores, multidão de homens que, então, começou a seguir o exemplo do Seráfico Pai. Clara, esposa de Cristo, recebeu nesta igreja a tonsura, despojando-se das pompas do mundo para seguir a Cristo. Aqui, para Cristo, a Santa Virgem Maria gerou os frades e as Pobres Damas, e, por meio deles, deu Cristo ao mundo. Aqui, estrada larga do mundo antigo tornou-se estreita e a coragem dos que foram chamados tornou-se maior. Aqui foi composta a Regra, a santa pobreza foi reabilitada, a vaidade humilhada e a cruz alçada às alturas. Se algumas vezes o Seráfico Pai sentiu-se conturbado e aflito, neste lugar reanimou-se, o seu espírito recuperou a paz interior. Aqui desaparece toda a dúvida. Por fim, aqui se concede aos homens tudo que o pai pediu por eles"

Como São Francisco pediu e obteve a indulgência do perdão

Segundo o testemunho de Bartolomeu de Pisa, a origem da Indulgência da Porciúncula se deu assim:

Uma noite, do ano do Senhor de 1216, Francisco estava compenetrado na oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula, perto de Assis, quando, repentinamente, a igrejinha ficou repleta de uma vivíssima luz e Francisco viu sobre o altar o Cristo e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundados de uma multidão de anjos. Francisco, em silêncio e com a face por terra, adorou a seu Senhor.


Perguntaram-lhe, então, o que ele desejava para a salvação das almas. A resposta de Francisco foi imediata: "Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço, que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão a visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas".

O Senhor lhe disse: "Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (Papa)".
E imediatamente, Francisco se apresentou ao Pontífice Honório III que, naqueles dias encontrava-se em Perusia e com candura lhe narrou a visão que teve. O Papa o escutou com atenção e, depois de alguns esclarecimentos, deu a sua aprovação e disse: "Por quanto anos queres esta indulgência"? Francisco, destacadamente respondeu-lhe: "Pai santo, não peço por anos, mas por almas".

E feliz, se dirigiu à porta, mas o Pontífice o reconvocou: "Como, não queres nenhum documento"? E Francisco respondeu-lhe: "Santo Pai, de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas".

E poucos dias mais tarde, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse entre lágrimas:"Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!"

Condições para receber a indulgência plena do Perdão de Assis (para si mesmo e para os defuntos)

No dia 2 de agosto de cada ano (das 12 horas do dia 1º de agosto até as 24 horas do dia 2), pode se adquirir a Indulgência Plenária, com as seguintes condições:

• Visitando uma igreja paroquial, onde se reza o Credo, para afirmar a própria identidade cristã; e o Pai Nosso, para afirmar a própria dignidade de filhos de Deus recebida no Batismo;

• Confissão sacramental para estar em graça de Deus (oito dias antes ou depois);

• Participação na Missa e comunhão eucarística;

• Uma oração nas intenções do Papa. A indulgência só pode ser lucrada uma vez.

Veja neste Especial as Orações próprias.

Porciúncula
Lugar fontal para a nossa mística. Santa Maria dos Anjos: berço da fraternidade! Aqui começou a vida e o amor mútuo. Um santuário mariano-franciscano, lugar – santo, dos mais freqüentado em todo o mundo. É um espaço para rezar, refletir, purificar, encher-se de graça e iniciar novamente o caminho.

Se Assis é a “capital do espírito”, Porciúncula é um lugar necessário a toda humana criatura de nosso tempo: uma etapa, uma luz sobre o caminho. Ali emana um único fascínio: a mensagem pulsante do Evangelho, alegria, serenidade, simplicidade, fidelidade, pobreza...Foi edificada no século X, no ano de 1045. Pertencia aos monges beneditinos do monte Subásio que ali alimentavam uma “pequena porção” de santuário. O que é o santuário? É um lugar sagrado onde a presença de Deus se manifesta. O mistério presente da divindade é que determina o lugar do culto.

Santuário é lugar e não museu arqueológico a mostrar e conservar memórias e glórias mumificadas do passado. Ali os acontecimentos passados são vivos e presentes: ali viveu Francisco, ali passou Clara, ali morreu o Poverello. Francisco e Clara continuam a ser mais vivos que nunca e a sua escolha de Amor é que marca definitivamente o lugar. Ali a Fraternidade se faz encontro,cresce,contagia e se comunica. (Cfr 1 Cel 106)
Em 1210 Francisco pede ao bispo de Assis e depois aos Cônegos de São Rufino alguma igrejinha para cuidar. A resposta é negativa. Vai então ao abade do mosteiro de São Bento, Dom Teobaldo. Este, com o consenso da comunidade monacal, concede a Francisco e a seu primeiros companheiros a Porciúncula para o simples uso e moradia. Só pedem uma condição: se a religião constituída por Francisco crescer, a Porciúncula seja a casa-mãe.

Dom recebido Dom dividido. A casa fundada sobre o sólido alicerce da Pobreza ganha um sinal: por graça e gratidão ao bem feito pelos beneditinos, há o gesto da retribuição: cada ano os frades mandavam aos monges um cesto cheio de peixes. Os monges agradeciam com um vaso cheio de óleo. LTC 56; LP 8.
Porciúncula:
• experiência primitiva de Fraternidade
• lugar reconstituído com o trabalho manual
• próximo aos bosques
• próximo aos leprosários
• pequenas celas para a moradia
• primeiro encontro com o Evangelho (Mt 10,5-15)
• ali o encontro do rumo definitivo na vida (1 Cel 21;LM 2,8;Lm 1,9;1 Cel 44)
• os primeiros companheiros Bernardo e Pedro vêm morar ali
• Bernardo, Pedro, Egídio e Francisco partem dali para a primeira missão
• a fraternidade cresce e encontra seu espaço
• é o santuário da missão ( 1 Cel 22;LM 3,1: LTC 25: Lm3,7;Fior13)
• No dia 19 de março de 1211/1112, chega a Porciúncula, a nobre jovem Clara de Faverone.
• Em julho de 1216, Francisco consegue do Papa Honório III a Indulgência ou o Perdão da Porciúncula.
• É um lugar muito elogiado. (1 Cel 106; LP 8-12:LM 2,8)
• Lugar dos Capítulos. Ali se realizou o famoso Capitulo das Esteiras – 1221. (LTC 57-59; AP 18,37-39; LP 114, Fior 18)
• Clara vai à Porciúncula visitar Francisco. Comem juntos num luminoso banquete espiritual. (Fior 15)• A irmã Jacoba de Settesoli, amiga de Francisco, chega pouco antes de sua morte, trazendo doce conforto.
(EP112;LP101;Cel 37-39)
• A irmã morte visita Francisco ( 2 Cel 214-217; LM 14,3-6;LTC 68;LP 64)
Ensinamentos da Porciúncula
• momento culminante da mudança radical de Francisco
• não teve dúvidas que o Senhor tinha suas exigências
• acolher o Evangelho, escutar o outro (a),percorrer o caminho proposto
• lugar de penitência e serviço
• ensina que todos devemos ser criativos (as) para fazer renascer a simplicidade primitiva.
• santuário da missão: enviar, regressar, fortalecer e orar.
• capítulo: momento privilegiado de encontro.

Frei Vitório Mazzuco


A virgem Maria na contemplação de Francisco e Clara
INTRODUÇÃO

• Toda pessoa tem uma dimensão contemplativa: aceitação da vida, ação que nos transforma para a vida. Deus é o agente de nossa dimensão contemplativa.
• Nascemos humanos: “humano” é ser que desperta para a presença de Deus; sintonia para enxergar a razão de todas as coisas e sentir a relação com os seres.

• “Acender a luz dos olhos e do coração”; o despertar, dentro e ao redor de cada um, para o tempo, o meio, a vida, as pessoas que cada dia nos encontram e nos transformam.

• Essa transformação vai nos unindo a Deus que, respeitando nossa individualidade, vai nos transformando em Cristo.
• O último passo da contemplação: Deus nos torna colaboradores seus no anúncio desta transformação e realização, comunicando à cada pessoa esta nova vida recebida.

• Todos esses passos aconteceram na vida de Maria, “a Virgem feita Igreja”.
 • Francisco e Clara, pela contemplação de Maria, refizeram este caminho em suas vidas.


PEQUENOS E FRACOS COMO MARIA

• 
Deus resolveu começar tudo com uma mulher, jovem, solteira, pobre, noiva de um carpinteiro, moradora de um vilarejo tão miserável que nem constava dos mapas de Israel. Uma criatura para a qual nenhum poderoso iria olhar.

• O Deus da Bíblia trabalha, com predileção, justamente com o pobre, o pequeno, o fraco, o desprezado. Seu Filho seria o filho desta mulher, uma mulher pobre numa aldeia no fim do mundo. Os auxiliares imediatos de seu filho seriam pescadores por quem ninguém daria nada.

• É fundamental entendermos esse sentido de ser virgem: não pertencer a ninguém, não contar nada como elemento constituinte do povo, não ser nada. É disso que Deus precisa para começar a fazer um contemplativo, porque é dessa massa que Ele faz um Cristo.

• Essa pobreza, esse “nada” da Mãe de Jesus é importante na contemplação de Francisco e Clara, que exatamente aí fundamentaram toda sua vida de recolhimento e ação. Ser pobre de tudo para ser rico de Deus, como Maria, era o grande sonho de Francisco e Clara e a realização de sua alegria.UNIDOS AO ESPÍRITO COMO MARIA

• 
Essa virgem de Nazaré era mais uma figura do Povo, paralela daquela menina enjeitada, símbolo de Jerusalém, que alguém tinha jogado no lixo da cidade e estava para ser devorada pelos corvos se Deus não a recolhesse, como disse o profeta Ezequiel (Ez 16, 1-15). É Maria, símbolo da Esposa bíblica que é o miserável povo de Israel, que Deus convidou para ser Mãe unindo-se ao seu próprio Espírito.

• A história dessa enjeitada que virou rainha é a história de cada um dos contemplativos: o Espírito de Deus age como um vento irresistível, construindo Maria dentro de cada um. Maria do silêncio, que sabia “conferir as coisas em seu coração” (Lc 2,52): é a visão contemplativa que abrange o mundo.

• Francisco e Clara contemplam Maria em integração perfeita com a Santíssima Trindade: filha, mãe e esposa.  Antífona do Ofício da paixão: “Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós, filha e serva do altíssimo Rei e Pai celestial, Mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo”.

• 
Contemplação toda pelos olhos e extremamente concreta, objetiva. A Maria que Francisco e Clara conhecem não tem nada de teorias e não se perde no mundo dos conceitos: é um espelho prático em que enxergam a atuação do Espírito de Deus. Assumem as atitudes de Maria frente a Deus, e como ela, concebe, gera e dá a luz à Palavra de Deus, dando-lhe vida e forma.

• Porque a devoção de Francisco e Clara para com Maria foi justamente essa: aprender a acolher o Cristo para dá-lo à luz do mundo, com eles e em sua casa, Maria se tornou Mãe de toda a família franciscana. MÃE DA HUMANIDADE COMO MARIA

• 
Maria gerou o corpo de Jesus de Nazaré e gera o espírito de cada um dos filhos de Deus até ficarem parecidos com o Primogênito de Deus. É através dela que cada um e todos juntos consituem o Cristo Místico, em seu Corpo, a Igreja.

• Maria mostra como se humaniza Deus e se diviniza o homem. Nela, a humanidade acolheu Deus e nela Deus é humanidade. Aquele pequenino envolto em fraldas, aquela criança com as feições de Maria, que com ela aprendeu a falar e a andar é Deus feito homem, transformação da história dos homens.

• Francisco e Clara contemplavam em Maria o mistério da encarnação, sem separar Jesus de sua Mãe. Porque, sem essa mulher, o Cristo seria um maravilhoso salvador sem bases históricas (humanidade), pois é nela que se encontram a divindade e a humanidade.

• Clara se comove porque “tão grande e glorioso Senhor quis descer ao seio da Virgem” (1Ct IP, 19).  Francisco transborda de reconhecimento pela mulher que tornou possível a descida de Deus e da qual “recebeu verdadeiramente, em seu seio, o corpo da nossa frágil humanidade” (C.Fiéis 1,4). NA MISSÃO DE DEUS COM MARIA

• 
A contemplação da vida de Maria parece ter alimentado toda a vida evangélica de Francisco e Clara: ela foi a primeira criatura humana a acolher o Reino de Deus. Essa é a base de toda a missão, pois Maria ensina tanto a acolher o Reino de Jesus como a fazê-lo nascer no coração de cada um.

• Francisco recordava Nossa Senhora como uma missionária percorrendo estradas com Jesus e os apóstolos. Ele a via pobre como Jesus, mas também como senhora e rainha como seu Filho sera rei e senhor. Maria, nossa irmã, representou toda a humanidade acolhendo a Redenção.

• Francisco e Clara plantaram entre seus filhos e filhas a convicção do Reino no coração dos desprotegidos, justamente por serem tão unidos à Mãe do Povo de Deus. Foi Maria quem os ensinou a partir do vazio da pobreza, unir-se a Deus no mais perfeito amor e ser “mães” de cada um dos pequenos seguidores de Jesus, ricos do seu sonho do Reino da Boa Nova. Esse sonho é possível a todos, porque na verdade o Reino de Deus começa no coração de cada um.CONCLUSÃO – PARA REFLETIR E MEDITAR• Da contemplação de Maria, Francisco e Clara descobriram um caminho, um modo de ser e de viver. Minha vida de oração/contemplação está me conduzindo por um caminho de comunhão mais verdadeira com Deus, com as pessoas e com as criaturas?• A oração/contemplação conduz necessariamente à conversão, ao seguimento e à configuração com Cristo. Ele está vivendo em mim? Sou capaz de descobrí-lo, serví-lo e amá-lo nas pessoas e situações todas da vida.

•  Minha vida é um “espelho” que reflete a vida e a presença do amor de Deus? Como está meu testemunho de Cristo?

Frei Regis Daher, ofm


Carta do Papa João Paulo II sobre a Porciúncula

Ao Reverendíssimo Padre
Giacomo Bini
Ministro geral
da Ordem Franciscana dos Frades Menores

1. A reabertura da Basílica e da Capela da Porciúncula, após os restauros realizados em conseqüência do terremoto de 1997, oferece-me a agradável oportunidade de dirigir uma afetuosa saudação a você, Irmão amado, e à Comunidade franciscana que, em Assis, desempenha um precioso serviço eclesial e zela pelo decoro dos lugares caros à memória do Poverello de Assis e pelos fiéis e peregrinos que chegam à terra de Francisco e Clara para uma experiência espiritual intensa. Os pés dos fiéis se detêm às portas de Assis, que, por tantas maravilhas de misericórdia ali realizadas, com razão é definida como "cidade predileta do Senhor (LegSC 21).

Hoje, a Capela da Porciúncula e a Patriarcal Basílica que a guarda reabrem suas portas para receber as multidões de pessoas atraídas pela saudade e pelo fascínio da santidade de Deus, copiosamente manifestada no seu servo Francisco. O Poverello acreditava que "a graça divina podia ser concedida aos eleitos em todos os lugares; mas sabia, por experiência, que o lugar de Santa Maria da Porciúncula estava repleto de uma graça mais fecunda [...] e, por isso, muitas vezes dizia aos frades: [...]Este lugar é verdadeiramente santo, morada de Cristo e da Virgem, sua Mãe" (EspPf 83). Para Francisco, a humilde e pobre igrejinha tornou-se a imagem de Maria Santíssima, a "Virgem feita Igreja" (SaudVM 1), uma humilde e "pequena porção do mundo" (2Cel 18), mas indispensável para que o Filho de Deus se fizesse homem. Por isso o Santo invocava Maria como tabernáculo, casa, manto, serva e Mãe de Deus (cf. SaudVM 4-5).

Exatamente na Capela da Porciúncula, que ele havia restaurado com as próprias mãos, Francisco, iluminado pelas palavras do capítulo 10 do Evangelho de Mateus, decidiu abandonar a precedente breve experiência eremítica, para dedicar-se à pregação entre o povo, "com a simplicidade de sua palavra e a generosidade de seu coração", como atesta o primeiro biógrafo, Tomás de Celano (1Cel 23). Assim, deu início a seu típico ministério itinerante. Mais tarde, é na Porciúncula que se dá a vestição de Santa Clara e se funda a Ordem das "Pobres Damas de São Damião". Aqui também, Francisco impetrou de Cristo, mediante a intercessão da Rainha dos Anjos, o grande perdão ou "indulgência da Porciúncula", confirmada por meu venerável Predecessor, o Papa Honório III, a partir de 2 de agosto de 1216. A partir de então teve início a atividade missionária, que levou Francisco e seus frades a alguns países muçulmanos e a várias nações da Europa. Aqui, enfim, cantando, o Santo recebeu "nossa irmã a Morte corporal" (CantS 12).

2. A igrejinha da Porciúncula conserva e difunde uma mensagem e uma graça muito especiais da experiência do Poverello de Assis; mensagem e graça que perduram até hoje e que constituem uma fonte de apelo espiritual para os que se deixam fascinar por seu exemplo. Nesse sentido, é importante o testemunho de Simone Weil, a filha de Israel fascinada por Cristo: "Enquanto estava sozinha na pequena capela românica de Santa Maria dos Anjos, incomparável milagre de pureza e onde Francisco rezou tantas vezes, pela primeira em minha vida, alguma coisa mais forte do que eu me obrigou a ajoelhar-me" (Autobiografia espiritual).

A Porciúncula é um dos lugares mais veneráveis do franciscanismo, caro não só à Ordem dos Menores, mas também a todos os cristãos que aqui, como que esmagados pela intensidade das memórias históricas, recebem luz e estímulo para uma renovação de vida, sob o sinal de uma fé mais enraizada e de um amor mais genuíno. Por isso, para mim é muito caro destacar a mensagem especial que brota da Porciúncula e da indulgência a ela ligada. É uma mensagem de perdão e de reconciliação, isto é, de graça, que, se estivermos bem dispostos, a bondade divina derrama sobre nós, porque Deus é verdadeiramente "rico em misericórdia" (Ef 2,4). Como não reavivar diariamente em nós a humilde e confiante invocação da redentora graça de Deus? Como não reconhecer a grandeza desse dom que ele nos ofereceu em Cristo "uma vez para sempre" (Hb 9,12) e nos repropõe continuamente com imutável bondade? É o dom do perdão gratuito, que nos dispõe à paz com Ele e com nós mesmos, infundindo-nos renovada esperança e alegria de vida. Considerando tudo isso, é fácil compreender a austera vida de penitência de Francisco e por que somos convidados a ouvir o apelo a uma constante conversão, que nos separe de uma conduta egoísta e, com decisão, oriente nosso espírito para Deus, ponto focal de nossa existência.

3. Tenda do encontro de Deus com os homens, o Santuário da Porciúncula é casa de oração. "Quem rezar com devoção neste lugar conseguirá o que pedir" (1Cel 106), gostava de repetir Francisco, depois que pessoalmente havia feito experiência disso. Dentro dos velhos muros da pequena igreja, todos podem saborear a doçura da oração em companhia de Maria, a mãe de Jesus (cf. At 1,14), e experimentar sua poderosa intercessão. Naquele edifício restaurado com suas mãos, o homem novo Francisco ouviu o convite de Jesus que o chamava a modelar a própria vida "segundo a forma do santo Evangelho" (Test 14) e a percorrer as estradas dos homens, anunciando o Reino de Deus e a conversão, em pobreza e alegria. Dessa forma, aquele lugar santo se tornara, para Francisco, "a tenda do encontro" com o próprio Cristo, Palavra viva de salvação. A Porciúncula é, particularmente, "terra do encontro" com a graça do perdão, que amadureceu numa íntima experiência de Francisco que, como escreve São Boaventura, "um dia, quando, [...] a chorar, deplorava amargamente os anos passados, sentiu-se invadido pela alegria do Espírito Santo e teve a certeza de que seus pecados tinham sido plenamente perdoados" (LegM III,6). Querendo que todos participassem de sua pessoal experiência da misericórdia de Deus pediu e obteve a indulgência plenária para aqueles que, arrependidos e confessados, peregrinassem à igrejinha para receber a remissão dos pecados e a superabundância da graça divina (cf. Rm 5,20).

4. A todos que, em autêntica atitude de penitência e reconciliação, seguem as pegadas do Poverello de Assis e recebem a indulgência da Porciúncula com as requeridas disposições interiores, desejo que experimentem a alegria do encontro com Deus e a ternura do seu amor misericordioso. Este é o "espírito de Assis", espírito de reconciliação, de oração, de respeito mútuo que, de coração, espero que seja para todos um estímulo à comunhão com Deus e com os irmãos. É o mesmo espírito que marcou o encontro de oração pela paz com os representantes das religiões do mundo, que acolhi na Basílica de Santa Maria dos Anjos, a 27 de outubro de 1986; um acontecimento do qual guardo uma viva e grata recordação.Com estes sentimentos, também eu me dirijo em peregrinação espiritual para esta celebração da indulgência da Porciúncula na restaurada Basílica da Bem-aventurada Virgem, Rainha dos Céus, na iminência do Grande Jubileu da encarnação de Cristo. A Nossa Senhora, filha eleita do Pai, confio aqueles que em Assis e em todas as partes do mundo querem receber hoje o "Perdão de Assis", para fazer do próprio coração uma morada e uma tenda para o Senhor que vem.
A todos a minha bênção, Castel Gandolfo, 1° de agosto de 1999, vigésimo primeiro de Pontificado.

Carta de Paulo VI

Ao Revmo. Padre Constantino Koser, Vigário Geral da Ordem dos Frades Menores, na passagem do 750º ano da “Indulgência da Porciúncula”, concedida pelo Papa Honório III a São Francisco.
Ao dileto filho, saudação e bênção apostólica. A sacrossanta igreja da Porciúncula, que São Francisco “amou acima de qualquer outro lugar no mundo” , tornou-se dia após dia mais célebre no mundo católico, porque ali o seráfico Pai maravilhosamente disse e fez muitas coisas, mas sobretudo porque foi enriquecida com especial indulgência, que por isso é chamada de “Indulgência da Porciúncula”, e que há muitos séculos é lucrada por aqueles que piedosamente visitam aquela igreja.

Nestes dias em que se celebra o 750º ano desta indulgência, segundo a tradição concedida a São Francisco por Honório III e muitas vezes confirmada, no decorrer dos séculos, por nossos Predecessores, é para Nós um prazer dirigir-nos aos fiéis cristãos que, continuando o costume e o uso dos antepassados, dirigem-se à Porciúncula, que refulge por insigne antigüidade, para ali procurarem uma mais perfeita e pronta reconciliação com Deus, onde “quem orar com devoção alcançará o que pedir” .


Para repetirmos as palavras que recentemente escrevemos movidos por solicitude pastoral, “somente podemos achegar-nos ao Reino de Cristo pela ‘metanoia’, isto é, mediante a íntima transformação de todo o homem, pela qual ele começa a pensar, a julgar e a regular sua vida sob o impulso da santidade e caridade de Deus, ultimamente manifestadas no Filho e plenamente comunicadas a nós” .
Ora, é exatamente aos fiéis, que levados pela penitência se esforçam por chegar a esta ‘metanoia’, para que, após o pecado, alcancem a santidade com a qual foram vestidos em Cristo pelo batismo, que a Igreja vai ao encontro também com a distribuição das indulgências, como que para sustentar com o materno abraço de sua ajuda a fragilidade de seus filhos enfermos.
Portanto, a indulgência não é o caminho mais fácil pelo qual possamos evitar a necessária penitência dos pecados; mas é antes um apoio que os todos os fiéis, humildemente conscientes de sua fraqueza, encontram no corpo místico de Cristo, que “colabora para a sua conversão com caridade, exemplo e orações” .
Um ensinamento claríssimo de tal vontade de penitência, unida à consciência da própria enfermidade nos foi deixado pelo próprio São Francisco, aquele que se apresenta a nós tão perfeitamente expresso como “o novo homem que foi criado por Deus em justiça e verdadeira santidade” . Com efeito, ele não só nos dá um exemplo de sua radical conversão a Deus e de uma vida verdadeiramente penitente, mas em sua Regra também manda que se admoestem os homens “a perseverarem todos na verdadeira fé e penitência, porque de outra forma ninguém poderá salvar-se” ; igualmente, na explicação da oração do Senhor, assim implora ao Pai que está nos céus: “perdoai-nos as nossas ofensas: por vossa inefável misericórdia e o inaudito sofrimento de vosso dileto Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e pela poderosa intercessão da beatíssima Virgem Maria, bem como pelos méritos e súplicas de todos os vossos eleitos".
Com razão, cremos que estas exortações de São Francisco, como também a admirável caridade que o levou a pedir para todos os fiéis a indulgência da Porciúncula tenham nascido do desejo de comunicar aos outros a doçura de espírito que ele mesmo experimentou após pedir a Deus o perdão dos pecados. É o que Frei Tomás de Celano, o principal escritor da vida deste homem seráfico, nos narra com delicadíssimas palavras: “Admirando a misericórdia do Senhor nos muitos benefícios que executava por seu intermédio, e desejando que o Senhor se dignasse mostrar-lhe o progresso que ele e os seus fariam na perfeição, foi para um lugar de oração, como fazia com freqüência. Lá ficou bastante tempo rezando com temor e tremor, diante do Senhor de toda a terra. Relembrando com amargura os anos que aproveitara mal, repetia sem cessar: ‘Deus, tende piedade de mim que sou pecador’. O íntimo de seu coração começou a extravasar sensivelmente uma alegria incontável e uma suavidade sem tamanho. Sentiu-se desfalecer, dissipando-se os temores e as trevas que se tinham juntado em seu coração por medo do pecado, e lhe foi infundida uma certeza da remissão de todos os pecados e uma confiança de que viveria da graça” .
Ora, o primeiro fruto da penitência é a consciência dos nossos pecados: “Se queres que Deus te perdoe, reconhece-te pecador. Sê juiz de teu pecado, não advogado” .
Por isso, fazendo-nos acusadores de nós mesmos diante da Igreja, à qual Jesus Cristo entregou as chaves do reino dos céus , receberemos a remissão da culpa e da pena; todavia, isso não deve retardar o caminho de nosso retorno a Deus. Devemos assumir o jugo de Cristo, sua cruz que encontramos ou que abraçamos voluntariamente pela mortificação; pelas boas obras e sobretudo pelos frutos da caridade fraterna, é preciso que demonstremos a sinceridade de nosso retorno à casa do Pai e nossa mais plena e nova inserção no corpo de Cristo, que é a Igreja.
O fiel penitente que faz essa renovação do espírito, como dissemos acima, não está só, pois “de certo modo é purificado pelas obras de todo o povo e é lavado e limpo interiormente pelas lágrimas de todo aquele que é redimido do pecado pelas orações e lágrimas do povo. Porque Cristo deu à sua Igreja o poder de redimir um fiel por meio de todos, o deu a ela, que mereceu a vinda do Senhor para que todos fossem redimidos por meio de um” .
A indulgência que a Igreja concede aos penitentes é manifestação da admirável comunhão dos Santos, que une misticamente no vínculo da caridade de Cristo a Beatíssima Virgem Maria e o conjunto dos cristãos triunfantes no céu ou que permanecem no purgatório ou que peregrinam na terra. Com efeito, a indulgência que é concedida por ação da Igreja diminui ou abole totalmente a pena que, de algum modo, impede o homem de conseguir uma mais estreita união com Deus; por isso, nesta especial forma da caridade eclesial, o fiel penitente encontra um válido auxílio para despir-se do velho homem e revestir-se do novo, “que vai se renovando para o conhecimento segundo a imagem de quem o criou” .
Em base a estas reflexões, desejamos que o 750º aniversário da concessão desta indulgência seja de tal modo celebrado que a Porciúncula seja realmente o santuário do pleno perdão e da garantida paz com Deus.
Bem sabemos que no decorrer de tantos séculos grande número de peregrinos acorreram à igreja da Porciúncula, através de longas e difíceis viagens, para encontrarem nos braços da Rainha dos Anjos, a quem a capela e a basílica da Porciúncula é dedicada, a serenidade de espírito pelo perdão dos pecados e pela renovação da graça divina. Sabemos também que ainda hoje, mas especialmente na festa da dedicação da mesma capela, dia em que a indulgência da Porciúncula é estendida a todas as igrejas da Ordem Franciscana, muitos peregrinos chegam à Porciúncula, não levados pela curiosidade ou pelo prazer, mas somente para pedir a Deus o perdão dos pecados, para depois sentir-se mais na intimidade do Pai celeste. Realmente, são estes os peregrinos que verdadeiramente nos mostram o significado da grande peregrinação da vida do homem: uma longa e árdua caminhada que nos conduz a Deus.
Realmente, seria de desejar que as peregrinações, individuais ou de grupos, tornadas mais freqüentes pela facilidade dos meios de transporte, não perdessem o caráter de piedade e de penitência, mas conservassem este sentido de um esforço profundamente religioso.
Queira Deus que não seja interrompida a secular tradição da peregrinação à igreja da Porciúncula, devotamente empreendida por nosso imediato Predecessor João XXIII, mas antes cresça o número dos fiéis que, neste santuário vão ao encontro de Cristo, Senhor misericordioso, e de sua Mãe, que é poderosa intercessora junto a Ele.
Esperando que tudo aconteça conforme o nosso desejo, a ti, dileto filho, a toda a família franciscana e a todos que se reunirão no santuário da Porciúncula para celebrar solenemente este aniversário, com prazer concedemos no Senhor a bênção apostólica.
Dada em Roma, junto a São Pedro, no dia 14 do mês de julho, de 1966, quarto ano de nosso Pontificado.
PAPA PAULO VI
S. BOAVENTURA, Legenda Maior, II,8.
TOMÁS DE CELANO, Vida primeira, 106.
Const. Apost. Paenitemini, AAS LVIII (1966), p. 179.
Const. Lumen Gentium, c. 2, n. 11.
Ef 4,24.
RegNB, 23, 22.
Paráfrase da Oração do Senhor, 9.
1 Cel, 26.
S. AGOSTINHO, Sermão 20, 2; PL 38, 130.
Cf. Mt 16,19.
SANTO AMBRÓSIO, De paenitentia, I. 15, 80; PL 16, 469.
Cl 3,10.

Orações
CREDO
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis.Creio em um só Senhor: Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas;que, por nós e por nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria, e se fez homem. Foi também crucificado, sob o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. Virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim.Creio no Espírito Santo, o Senhor que dá vida, e procede do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado; Ele, que falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa, universal e apostólica. Confesso que há um só Batismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.

PAI NOSSO
Pai Nosso que estais no céu,
santificado seja o vosso nome,
vem a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
não nos deixei cair em tentação
mas livrai-nos do mal.
Amém

UMA ORAÇÃO NAS INTENÇÕES DO PAPA

No mês de agosto, o Papa pede:
Intenção Geral: Para que todos os que atravessam momentos de dificuldade interior e de provação, encontrem em Cristo a luz e o sustento que os levem a descobrir a felicidade autêntica.
Intenção Missionária: a fim de que a Igreja na China dê testemunho de uma coesão interna cada vez maior e possa manifestar a comunhão concreta e visível com o Sucessor de Pedro.  
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS ANJOSÓ Nossa Senhora dos Anjos, na pequena Igreja da Porciúncula,
São Francisco recebeu as vossas bênçãos generosas juntamente com sua Ordem.
Ele depositara na vossa presença materna uma grande confiança e devoção, sendo atendido em seus pedidos. Continuai a dispensar os vossos favores sobre nós e sobre nossas necessidades particulares.
Nós vos suplicamos, dai-nos a graça da penitência dos pecados, a correção de nossas más inclinações e fortalecimento nos momentos de fraqueza. Quantos recusam a salvação e preferem caminhar nas trevas do erro! Tudo é possível para aquele que crer, para aquele que se arrepender!
Vós, ó Mãe, manifestastes a São Francisco o grande desejo de reconciliar os pecadores com Jesus, que se entregou em uma cruz para nos salvar. Rogai por nós, agora e na hora de nossa morte. Por isso, com todos os anjos do céu, vos saudamos: Ave Maria ...

ORAÇÃO A VIRGEM MARIASanta Virgem Maria,
entre as mulheres do mundo, não nasceu nenhuma semelhante a ti,
ó filha e serva do altíssimo e sumo Rei e Pai celeste,
mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo,
esposa do Espírito Santo:
roga por nós, com São Miguel Arcanjo
e com todas as virtudes dos céus e com todos os santos,
junto a teu santíssimo e dileto Filho, Senhor e Mestre.
Bendigamos o Senhor Deus vivo e verdadeiro (Ts 1,9);
Rendamos-lhe sempre louvor, glória, honra e bênção (Ap 4,9) e todos os bens.
Amém. Amém. Assim seja. Assim seja.