quinta-feira, 24 de junho de 2010

Convento abre a Exposição Santo Antônio Erudito e Popular



Por Moacir Beggo

Rio de Janeiro (RJ) - Foi aberta, nesta sexta-feira (11/06), a Exposição Santo Antônio Erudito e Popular, como parte da 329ª Trezena de Santo Antônio, no Convento do Largo da Carioca (RJ). Às 17 horas o Reitor do Santuário, Frei Vitório Mazzuco Filho, abriu a porta do cluastro ao público e explicou ao que um dos objetivos da Província da Imaculada Conceição é fazer deste convento um centro espiritual e cultural. Para falar do santo franciscano, erudito e popular, Frei Vitório teve à frente da exposição a curadora Germana Portella, responsável pela concepção, montagem e supervisão.
O espaço não poderia ser mais significativo: o interior da sacristia, que guarda um riquíssimo conjunto de obras de arte. Segundo o Reitor, com o restauro do Convento, não havia um espaço adequado para a exposição e optou-se pela sacristia, que tem um pavimento de mármore português de diversas cores e contém desenhos simétricos. A barra é revestida de azulejos com grandes painéis, alusivos ao milagre da cura de um cego, realizado por Santo Antônio. O teto da sacristia é dividido por grossas molduras que contornam pinturas de paisagens, de fatos relacionados à vida do santo.
Desde a entrada do Convento, passando pelo claustro, até a sacristia, a curadora decorou o ambiente com bandeiras e enfeites de um arraial junino. Segundo Germana, a opção pelas cores do arraial não foi feita para fazer "contraste, mas é complemento para o erudito e o popular".
Frei Vitório explicou que o Convento, com seus 402 anos de fundação, está sendo restaurado e nesses tempo todo está sendo administrado pelos frades franciscanos, da mesma Ordem de São Francisco de Assis e Santo Antônio. A propósito do tema da exposição, Frei Vitório lembrou que, curiosamente, São Francisco marcou por um exemplo de vida simples e pobre, mas hoje é o santo mais pesquisado e mais estudado em todo o mundo. "Há bibliotecas inteiras sobre ele, filmes, teatro, estudos e teses. E ele era um santo desapegado de tudo isso. Já Santo Antônio era acadêmico, intelectual, tem obras escritas, e é o santo dos pobres", destacou.
"Sobre Santo Antônio pouco se fala e escreve em comparação a São Francisco, embora vocês vão ver que uma exposição como essa, de certa forma, até me contradiz, porque também sobre Santo Antônio se escreve muita coisa, se pesquisa muito. Aqui, nesta exposição, há um grande encontro entre o erudito e o popular", observou Frei Vitório.
Germana agradeceu o apoio total do Convento e de uma equipe de amigos para a realização da Exposição, porque o patrocínio foi apenas "espiritual". "Posso dizer que é uma honra, um privilégio, trazer este trabalho para este espaço, que é importantíssimo no patrimônio arquitetônico e cultural do Brasil", disse a curadora. Segundo ela, o trabalho é modesto, simples e franciscano e surgiu da pesquisa da história da arte e da hagiografia, o estudo da vida dos santos dentro da Teologia. "A pintura na sua época era usada nas igrejas para ensinar a vida dos santos. E o erudito está ligado aos profundos sermões que Santo Antônio escreveu e as pregações que converteu muitos hereges", observou.
Segundo Germana, ao fazer pelo segundo ano esta exposição, pôde conhecer e admirar mais este santo. "Ele foi uma pessoa germinal, funcionou como semente e alimenta nosso chão. Desperta em nós a dimensão espiritual, a dimensão do profundo que ultrapassa os nossos interesses imediatos de trabalho, de vida, de felicidade, a dimensão que vai além da competição de nossa sociedade capitalista, que vai além da luta diária, cotidiana, para ganhar o pão", enfatizou a curadora.
A exposição mostra gravuras de diversos pintores, os símbolos que acompanham a devoção antoniana, os oratórios de diversos modelos e regiões do país, estandartes usados no interior brasileiro, um grande painel desenhado por grafiteiro e muitos produtos religiosos e santinhos.
Germana procurou destacar também aspectos históricos da sacristia, como a grande e artística peça que chama a atenção: o arcaz feito de jacarandá. Em 1930, quando se faziam nele pequenos reparos, foi encontrada uma tábua com os seguintes dizeres: “Este arcas fes Manoel Alves Setubal. Acabou em 1745 em 16 de setembro pede hum Padre Nosso e hua ave Maria pello amor de Ds pella sua alma”.
A exposição poderá ser visitada diariamente até o dia 28 de junho. Telefones do Convento: (21) 2262-0129 2262-1201.

Veja o folder da Exposição.

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